"Transformem-se pela renovação de suas mentes" (Paulo, o apóstolo)

sábado, 7 de maio de 2011

Cristão homofóbicos

Texto escrito quando da publicação da resolução 175, do Supremo Tribunal de Justiça, que "deixou" os gays se casarem,
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Crentes irados, pastores destilando revolta, manifestações publicas, evangélicos discutindo em redes sociais, e pra todo lado a (hipócrita) frase: amamos os homossexuais, mas odiamos suas práticas. Nesta semana, a aprovação de uma lei que garante direitos a população homossexual no Brasil causou alvoroços e muita crítica por parte de evangélicos de inúmeras denominações.

A bíblia – revelação de Deus por excelência, é clara ao dizer: homossexualismo é perversão, abominação, pecado. Entretanto, creio que o povo evangélico tem se enganado muito a respeito de como encarar toda essa situação.

Longe de querer fazer apologia a qualquer prática condenada pelas escrituras, preciso expor algumas opiniões sobre a lei que concede a casais gays os mesmos direitos de casais héteros, reconhecendo inclusive a união homoafetiva como sendo uma entidade familiar.

Em primeiro lugar, o grande mandamento do evangelho tem a ver com amor. Agir com desrespeito, preconceito, segregação, é tão pecaminoso quanto se relacionar com pessoas do mesmo sexo. Embora os crentes não admitam, o povo evangélico é preconceituoso sim, e destila toda sorte de maldições contra gays, prostitutas, adúlteros, ou qualquer outra pessoa que não se enquadre em seus padrões. Aquela máxima, de amar os pecadores, mas odiar o pecado, deveria ser substituída por algo como: “amamos os pecadores, dependendo do seu pecado”, ou então, “amamos os pecadores que consigam abandonar seus pecados”.

É importante ressaltar que nos círculos evangélicos os pecados relacionados a conduta sexual são os que causam mais escândalos e mais incomodam, por serem erroneamente considerados os mais sujos, os mais degradantes e os mais ofensivos a santidade divina. Esquecemos-nos que no rol das obras da carne figuram outros pecados cometidos aos montes, com os quais quase ninguém se incomoda, como por exemplo: inveja, glutonaria, ira e inimizade. É tudo obra da carne, segundo Paulo escreveu aos gálatas. Aos coríntios, o mesmo Paulo disse que os efeminados não herdarão o reino dos céus, assim como os avarentos, os bêbados e os maldizentes também não herdarão. Mas somos campeões em coar mosquitos e engolir dromedários.

Em segundo lugar,  leis não determinam atitudes. Ninguém se tornou gay, ou deixou de sê-lo em decorrência da legislação. E não adianta querer torcer o nariz: a legalização do casamento homossexual e o reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo no Brasil é uma realidade. Mas ninguém vai rever sua orientação sexual em decorrência disso. Tem uma porção de coisas que são legais, mas nem por isso eu faço. E se fizer, fiz por vontade própria, não por que uma nova lei me induziu a isso. Ao invés de tentar mudar leis, os pastores deveriam se preocupar em pregar o evangelho genuíno, que transforma corações, muda atitudes, e nos apresenta Cristo e sua imensa graça, sem a qual todos estaríamos perdidos.

O mundo caminha rumo a degradação total, e contra isso não adianta lutar, é o curso natural das coisas. Tudo já estava previsto na bíblia, e está se cumprindo. Ao invés de tentar conter o fluxo, nossa luta deve ser por se manter fiel a Deus, através de um relacionamento de intimidade e liberdade com Ele.

Hipocritamente, as igrejas evangélicas fingem que a questão da homossexualidade não as atinge, mas a verdade é que há tantos homossexuais dentro das igrejas quanto fora delas. Alguns vivem uma vida dupla, escondidos atrás de casamentos e ministérios. Outros vivem em crise, lutando dia e noite contra suas tendências e desejos. Há ainda os que dão testemunho da cura, e se tornam verdadeiros troféus para sua comunidade e seu pastor, mas na verdade são escravos da culpa e de seus desejos. Enquanto isso, as igrejas acham que fazer campanhas contra leis é a melhor forma de agir. Estão de olho na horta do vizinho, e não cuidam do seu próprio quintal. Mas, como já disse um profeta do nosso tempo, um povo que não sabe lidar sequer com masturbação de adolescentes, tão pouco saberá lidar com questões mais delicadas, como é a homossexualidade.

Concordar com práticas claramente contrárias a palavra de Deus seria negar minha fé. Mas qualquer forma de homofobia, também seria negação de Cristo em minha vida e de sua obra na cruz. Sim, por que no calvário, ele levou sobre si todas as transgressões, de todas as pessoas, e tornou todos agradáveis a Deus, bastando tão somente que Nele creiamos. Assim, não há pecado ou perversão que não possa ser apagado pelo poder da graça de Deus.

Nele, em cuja graça eu descanso, e com quem tento aprender a AMAR.