Há alguns uma profissional da saúde me
disse que eu estava com a crise dos trinta anos. Segundo ela, embora ainda
faltasse algum tempo para os trinta, eu já estava desenvolvendo um quadro de depressão
e ansiedade característico da idade. Achei aquilo um pouco estranho e nunca
mais procurei os serviços da pessoa.
O curioso – e muito engraçado, é que
aos 18 anos eu me considerava a pessoa mais madura do mundo, tinha certeza de
como eu gostaria que meu futuro se desenrolasse e achava que conhecia tudo,
inclusive a mim mesma.
Hoje, doze anos depois, me olho no
espelho e me pergunto: “quem sou eu”. Não é nenhuma crise de identidade, mas
acredito que o autoconhecimento é uma tarefa que pode durar uma vida toda, sem
que isso seja necessariamente um problema.
Não sei absolutamente nada sobre o meu
futuro. Tenho sonhos, metas e projetos (talvez seja tudo a mesma coisa), mas a
cada dia tento aprender a não me agarrar a ilusão de controle. Às vezes, é bom
deixar a vida acontecer ao sabor do acaso.
Já não tenho muitas certezas
absolutas, nem a pretensão de convencer quem quer que seja de coisa alguma. Não
me importo em mudar de opinião, ou dizer coisas que contradigam o que disse em
outro tempo. Em outra época, eu era outra pessoa, pensava diferente, agora
penso desse outro jeito. Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio. Simples
assim! Até gosto quando minhas convicções são desafiadas, pois isso me obriga a
repensá-las, exercício nem sempre agradável, mas muito necessário.
Não me preocupo (mais) em parecer
culta, em me dedicar a assuntos inteligentes e em não me demonstrar fútil.
Gosto de gastar tempo com filmes bobos, desenhos animados, quadrinhos infantis
e livros que não trazem nada alem de entretenimento. Às vezes (muitas vezes), minha
mente só quer relaxar.
Isso leva a inferir que a maturidade
que eu tinha aos 18 anos se perdeu por aí. Não ligo. Gosto de ser quem sou
(quem sou?), e não vou me culpar por meus momentos de futilidades.
Nesses trinta anos, a vida foi extremamente
generosa comigo. Não fiz quase nada do que pretendia aos 18, mas o que tenho
recebido é infinitamente maior do que eu pedi ou pensei. Repetindo o poeta, tenho vida, alegria em todo tempo, tenho amigos, família, muitos irmãos
Tenho alguém a quem
amo e com quem pretendo compartilhar todos os dias que me restam.
Tenho
duas perolas de grande valor, que são as pessoas a quem mais amo e por quem
faria qualquer coisa.
Tenho um coração
extremamente grato a Deus, a quem quero conhecer e prosseguir conhecendo por
toda eternidade.
Tenho uma única certeza: a
vida só está começando.
Nele, que fez este dia.