Depois de um tempo, comecei a aprender algumas coisas.
Eu aprendi que amar não significa apoiar-se, que companhia nem sempre significa segurança, que beijos não são contratos e que presentes não são promessas. E assim descobri que um sentimento nem sempre traz a estabilidade necessária a uma relação. Muitas vezes, quando se esperam atitudes que legitimem os sentimentos, elas simplesmente inexistem.
Eu aprendi que, não importa o quanto eu me importe, algumas pessoas simplesmente não se importam. Pessoas diferentes supõem atitudes diferentes e prioridades diferentes. Por isso, é uma grande perda de tempo querer que alguém tenha as mesmas ações que eu teria numa situação similar. Se alguém não se importa, isso não é uma falha de caráter, mas apenas mais uma evidência de que o ser humano não foi feito em série.
Eu aprendi que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai me ferir de vez em quando e eu preciso perdoá-la por isso. Entretanto, o perdão para ser gerado, requer tempo e paciência. E dar a luz ao perdão exige muito mais esforço do que eu gostaria.
Eu aprendi que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la. E que existem valores que uma vez perdidos, não voltam jamais.
Aprendi que, em um instante, posso fazer coisas das quais me arrependerei pelo resto da vida. Por isso, preciso dosar cuidadosamente cada palavra, cada atitude e cada reação as circunstâncias. Aprendi também que devo controlar os meus atos, ou eles me controlarão.
Aprendi que o que importa não é o que eu tenho na vida, mas quem eu tenho na vida. Entretanto, ter alguém não significa posse, mas entrega gratuita de um coração que decidiu abrir-se ao outro. Por isso, muitas vezes, a pertença não é mútua nem ocorre na mesma intensidade.
Aprendi que os amigos são também minha família, porém desprovida de laços sanguíneos. Por isso, sobrevive na gratuidade e espontaneidade dos encontros e dos abraços. Aprendi também que não preciso mudar de amigos, pois o tempo e as contingências da vida são suficientes para fazer com os amigos e os laços que foram construídos, mudem e se adaptem a cada momento da minha história.
Aprendi que melhor amigo e eu podemos fazer qualquer coisa, ou nada, e mesmo assim termos bons momentos juntos. Aprendi que para que um momento seja especial, só preciso que seja vivido ao lado de pessoas especiais.
Aprendi que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade. Significa apenas analisar uma situação sob diferentes ângulos e ter coragem de abandonar um ponto de vista e assumir outro, que seja mais adequado. Não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Então, é preciso discernimento e critério para compreender uma circunstância. Mas eu também aprendi que, em algumas circunstâncias, as lucubrações não compensam.
Aprendi que algumas vezes a pessoa de quem eu espero um chute quando caio é uma das poucas que me ajudam a levantar, da mesma maneira que algumas pessoas de quem eu espero socorro podem ser exatamente quem me manterá no chão.
Aprendi que nunca devo dizer a pessoa alguma que sonhos são bobagens. Poucas coisas seriam tão humilhantes e seria uma tragédia descomunal se essa afirmação fosse crida. Os sonhos são a força motriz da vida. Um sonho, bem vivo dentro da alma, é o que nos faz ter ânimo para levantar da cama a cada manhã.
Aprendi que só porque alguém não me ama do jeito que eu gostaria de ser amada não significa que esse alguém não me ame com tudo o que pode. Existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Entretanto, a certeza de ser amado é uma necessidade constante, que pode se tornar gritante, e pequenas provas de amor podem curar corações partidos e aliviar almas sufocadas.
Aprendi que não importa em quantos pedaços meu coração tenha sido partido, o mundo não pára para que eu o conserte. Portanto, devo continuar minha caminhada pela estrada da existência, mesmo com a vida aos pedaços. Às vezes, a cura de um coração despedaçado, está em algum ponto além, em algum lugar de descanso dessa longa estrada. Aprendi que nessa estrada, eu posso ser lugar de descanso, ou posso ser razão de mais dores. Portanto, a cada dia devo decidir de que lado eu estarei.
Aprendi a plantar o meu jardim e decorar a minha alma, ao invés de ficar esperando alguém que me traga flores. Esperar por outros quase sempre é motivo de mais dores e mais decepções. Por isso, aprendi que por mais que os outros tenham importância na construção da minha história, eu sou a protagonista do enredo da minha vida.
Aprendi que quando penso que não consigo ir mais além, ainda posso avançar alguns passos. Existem ainda muitos alvos a serem alcançados, muitos projetos a serem realizados, muitos sonhos a serem vividos e muitas, muitas coisas a serem aprendidas.
Aprendi que mais importante do que saber, é viver o que se sabe. Por isso, na construção da minha história, ainda preciso aprender a agir de acordo com que já aprendi.
Aprendi que a vida vale a pena, que viver é a maior dádiva que alguém poderia receber. Aprendi que, de fato, a vida tem valor e que eu tenho valor diante da vida!
Nele, que nunca nos poupou de sofrimentos, antes, nos faz transcender a dor para nos conformar a sua imagem.