Um turbilhão se forma dentro de mim todos os dias.
Melhor, um turbilhão se avoluma dentro de mim, dia após dia. Minha mente, ansiosa, tenta em vão expressar em palavras. Em vão...
Tudo o que sobra são frases soltas, palavras desconexas.
Alguns conflitos devem ser encarados na solitude, foi o que alguém me disse certa vez. Verdadeiro? Não sei, mas muitas vezes é a única opção disponível.
A vida vai aos pouco nos ensinando, mas existem algumas lições das quais eu gostaria de me isentar e conhecer apenas “de ouvir falar”. Mediocridade? Não, apenas instinto de auto preservação.
A solidão dói. O abandono dói. E dores não podem ser rotuladas, nem limitadas, nem definidas.
Triste é a condição daquele que viu desabar seu castelo de cartas. Não percebeu, mas estava construindo um complexo edifício – de areia. Veio o mar, e agora, não sobrou mais nada.
Triste é ter que apagar do arquivo da memória trilhas sonoras que se tornaram lembranças dolorosas demais para serem revividas.
Triste é saber que andar pelo chão da verdade custa caro, e muitas vezes, a caminhada é solitária.
Triste é ver que aquilo que se acreditou ser tão real, era na verdade uma fantasia totalmente surreal.
Triste é não saber em quem confiar, ou ainda, descobrir tarde demais em quem não se deve confiar.
Triste é encontrar dores exatamente onde se espera encontrar alívio.
Triste é não ter com quem dividir as cargas, ter que encarar sozinho os próprios algozes, gritar por socorro sem ser ouvido.
A intensidade de um sentimento não é garantia de continuidade. O desejo de empatia nem sempre é correspondido.
Por isso, triste é se deparar com pessoas que acham que te conhecem melhor do que você mesmo.
Pessoas que identificam as razões dos seus conflitos, definem como você deveria reagir a eles, e ainda fazem pesadas críticas por que você não agiu conforme o script.
Pessoas que rotulam sua dor, e dizem se você tem ou não motivos para chorar.
Pessoas assim, geralmente consideram que as deduções que fazem a seu respeito são mais verdadeiras do que aquilo que você diz acerca de si mesmo. Aliás, essas pessoas não costumam sequer prestar atenção ao que você diz acerca de si mesmo. As conclusões previamente definidas são encaradas como verdades indissolúveis. E o mais triste é lembrar que essas pessoas são (ou foram) chamadas de "amigos".
Triste é ver se dissolver no nada aquilo que se considerou indissolúvel. Triste é perceber que jaz no passado todas as razões para a existência dos sentimentos mais nobres, mais lindos, mais saradores.
Triste é perceber tardiamente que aquele embate ainda não acabou, que aquele fantasma ainda não foi totalmente exorcizado, que antigas assombrações do passado continuam bem vivas, esperando um momento para aterrorizar.
Nele, a quem eu clamo e em quem eu espero.