"Transformem-se pela renovação de suas mentes" (Paulo, o apóstolo)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O guia definitivo da ignomínia religiosa (ou AS 12 REGRAS DE OURO DA CALHORDICE)

ATENÇÃO: ESTE TEXTO CONTÊM IRONIAS

É praticamente um consenso: pastor não é profissão, é ministério. Da mesma forma, missionário, evangelista, bispo, apóstolo, ou qualquer outro título (até mesmo os autoproclamados) também não são considerados como sendo profissões, mas como ministérios dados diretamente por Deus.

Bem, isso é teoria. Na prática, tem muito pseudoministro do evangelho, que na verdade, é só mais um profissional da fé, que se relaciona com o suposto “ministério” como se este fosse um trabalho, e com a igreja, como se esta fosse uma empresa. Além disso, embora não exista uma regra abrangente sobre como cumprir um ministério (ao contrário do que se diz a bíblia não é um manual de fé e de prática pra muitas igrejas) existe um código de (falta de) ética, não escrito, não falado, mas rigorosamente cumprido por muitos profissionais do evangelho 

Abaixo seguem algumas regras que deverão ser seguidas religiosamente por quem deseja ser uma "pastor calhorda":

  1. Nenhum membro da congregação deve ser considerado perdoado, antes de passar pela intercessão de seu pastor. Assim, evita-se aquele sentimento de liberdade e leveza, e se mantem a autoridade sobre o povo. O medo deve ser cultivado entre a membresia de forma tácita, pois assim todos permanecerão fiéis a Deus, ao evangelho, e principalmente ao seu pastor.
  2. Todas as confissões feitas ao pastor devem ser expostas a congregação, para que sirva de exemplo para aqueles que pretendem incorrer no mesmo pecado. Além disso, o pastor não tem nenhuma obrigação de manter em sigilo os problemas pessoais a ele confidenciados.
  3. Para que a submissão bíblica seja praticada, os membros da congregação devem ser conduzidos a cometerem suicídio intelectual. Quem pensa corre o risco de pensar diferente, e opiniões divergentes caracterizam insubmissão. Ainda para se manter a submissão, todas as decisões serão centralizadas na pessoa do pastor. Igreja não é uma democracia. O pastor jamais deverá dar ouvido às opiniões alheias, mesmo que concorde com elas, pois se assim o fizer perderá a credibilidade junto as suas ovelhas. A submissão é justificativa para qualquer atitude injustificável.
  4. Por serem representantes de Deus na terra, os pastores devem viver da forma mais ostentativa possível, pois assim mostram ao povo o quanto são abençoados. Pela mesma razão sua família e amigos devem ter uma vida rica e confortável, mesmo que para isso precisem ser sustentados pelo ministério. Assim, na distribuição de cargos, principalmente os assalariados, deve ter prioridade a família do pastor, seus agregados, e seus amigos próximos.
  5. Os dons e talentos da congregação são de propriedade de seus pastores, devendo os mesmos decidirem sobre a maneira como seus portadores irão utiliza-los. Assim, fica expressamente proibido a qualquer membro fazer o uso de seus talentos sem que antes passe pelo crivo de seu pastor. Ele é quem decidirá se aquele talento poderá ser usado, e quais serão as restrições a tal uso.
  6. O uso de dons espirituais, especialmente o de profecia, só poderá ser feito se autorizado pela liderança da igreja. Esta, por sua vez, só deverá liberar seu uso se for para abençoar a congregação, especialmente seus líderes, e jamais permitir exortações e correções, afinal o único que tem o direito de corrigir a igreja é seu pastor. O papel do Espírito Santo nesse sentido é secundário. O agir e mover do Espírito Santo numa reunião deve ser condicionado pela autorização do líder. O vendo deve soprar da maneira que o líder desejar.
  7. A palavra de Deus deverá ser usada de forma tendenciosa. As passagens que legitimam as práticas do pastor e de sua família devem ter destaque especial nos cultos e reuniões. Em contrapartida, as passagens bíblicas que acusarem suas práticas devem ser evitadas, suprimidas e, quando houver extrema necessidade, explicadas à luz de algum contexto equivocado.
  8. As prioridades de uma igreja são: arrecadação financeira; manutenção de sua estrutura eclesiástica; expansão patrimonial; tradições; regras; costumes. Pessoas jamais devem ser priorizadas em detrimento das prioridades essenciais acima enunciadas. Assim, uma tradição deve ser mantida a qualquer custo. Inovações são sempre prejudiciais e o bem estar de uma pessoa não é motivo suficiente para efetuar qualquer mudança.
  9. Devido a sua agenda muitas vezes atropelada, o pastor deve se preocupar com coisas essenciais, e deixar de lado coisas secundárias. como por exemplo: os problemas financeiros, conjugais, familiares, existenciais da membresia. Cada um deve cuidar de seus próprios problemas.
  10. As honras e deferências com as quais determinadas pessoas serão tratadas devem ser diretamente proporcional a sua contribuição financeira.
  11. Em todo o tempo o líder deve viabilizar situações que o coloquem no centro das atenções. A simplicidade das pombas é um conceito ultrapassado e precisa ser revisto. Reuniões nas quais a pessoa do líder fique evidenciada e receba honrarias diversas devem ser comuns e sempre muito incentivadas. Isso relembra a congregação quem de fato tem o poder e a autoridade.
  12. Todo líder deve considerar sua igreja como sendo a expressão máxima do corpo de Cristo, e assim desmerecer totalmente as demais igrejas, devendo sempre se referir as mesmas como sendo sectárias e hereges. Isso evita que os crentes mudem de denominação, o que causaria diminuição das receitas financeira. Caso decida sair da denominação, o crente deve ser considerado por todos, principalmente pelo pastor, como sendo rebelde, litigiosos, ingrato e insubmisso. Mudança de denominação deve acontecer sempre debaixo de maldição, especialmente quando se tratar de alguém cuja contribuição seja expressiva, Neste caso o pastor deve empreender todo esforço para persuadi-lo a revogar sua decisão.
Pra finalizar, uma observação muito importante: todas as regras determinadas serão invalidadas nos casos que envolverem interesses de familiares e amigos do líder.
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Perdoem-me pela ironia. Sei que existem ainda muitos pastores sérios, e realmente comprometidos com o reino de Deus. Ao escrever essas palavras, não me refiro especificamente a nenhum a pastor ou denominação. É tão somente uma expressão do que infelizmente tem acontecido nos meios religiosos. É também um grito de revolta e indignação, contra aqueles que não ouviram ainda a advertência do Messias: “ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, raça de víboras, sepulcros caiados”.


Nele, o pastor do salmo 23, o sumo sacerdote das nossas almas.

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