"Transformem-se pela renovação de suas mentes" (Paulo, o apóstolo)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

X X X


Há alguns uma profissional da saúde me disse que eu estava com a crise dos trinta anos. Segundo ela, embora ainda faltasse algum tempo para os trinta, eu já estava desenvolvendo um quadro de depressão e ansiedade característico da idade. Achei aquilo um pouco estranho e nunca mais procurei os serviços da pessoa.

O curioso – e muito engraçado, é que aos 18 anos eu me considerava a pessoa mais madura do mundo, tinha certeza de como eu gostaria que meu futuro se desenrolasse e achava que conhecia tudo, inclusive a mim mesma.

Hoje, doze anos depois, me olho no espelho e me pergunto: “quem sou eu”. Não é nenhuma crise de identidade, mas acredito que o autoconhecimento é uma tarefa que pode durar uma vida toda, sem que isso seja necessariamente um problema.

Não sei absolutamente nada sobre o meu futuro. Tenho sonhos, metas e projetos (talvez seja tudo a mesma coisa), mas a cada dia tento aprender a não me agarrar a ilusão de controle. Às vezes, é bom deixar a vida acontecer ao sabor do acaso.

Já não tenho muitas certezas absolutas, nem a pretensão de convencer quem quer que seja de coisa alguma. Não me importo em mudar de opinião, ou dizer coisas que contradigam o que disse em outro tempo. Em outra época, eu era outra pessoa, pensava diferente, agora penso desse outro jeito. Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio. Simples assim! Até gosto quando minhas convicções são desafiadas, pois isso me obriga a repensá-las, exercício nem sempre agradável, mas muito necessário.

Não me preocupo (mais) em parecer culta, em me dedicar a assuntos inteligentes e em não me demonstrar fútil. Gosto de gastar tempo com filmes bobos, desenhos animados, quadrinhos infantis e livros que não trazem nada alem de entretenimento. Às vezes (muitas vezes), minha mente só quer relaxar.

Isso leva a inferir que a maturidade que eu tinha aos 18 anos se perdeu por aí. Não ligo. Gosto de ser quem sou (quem sou?), e não vou me culpar por meus momentos de futilidades.

Nesses trinta anos, a vida foi extremamente generosa comigo. Não fiz quase nada do que pretendia aos 18, mas o que tenho recebido é infinitamente maior do que eu pedi ou pensei. Repetindo o poeta, tenho vida, alegria em todo tempo, tenho amigos, família, muitos irmãos

Tenho alguém a quem amo e com quem pretendo compartilhar todos os dias que me restam. 

Tenho duas perolas de grande valor, que são as pessoas a quem mais amo e por quem faria qualquer coisa.

Tenho um coração extremamente grato a Deus, a quem quero conhecer e prosseguir conhecendo por toda eternidade.

Tenho uma única certeza: a vida só está começando.

Nele, que fez este dia.

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