"Transformem-se pela renovação de suas mentes" (Paulo, o apóstolo)

quarta-feira, 9 de julho de 2014

CICLOS

A alternância das estações é uma das coisas mais poéticas na natureza. De uma forma linda e singela, o Criador escreveu, nos movimentos do planeta, uma parábola acerca da vida e seus ciclos
O verão, voluptuosamente ardente, dá lugar ao outono. Folhas mortas, ventos, o prenúncio do inverno, que traz consigo ostracismo e ensimesmamento. Mas a primavera – a mais linda de todas as estações – chega, anunciando a vida, que renasce junto com os ipês.
Assim é a existência: obedece a ciclos. E a troca das estações em nossa vida é o que nos faz maduros e prontos a lutar as batalhas que nos são impostas.
É preciso entender este ciclo, discernir os tempos e as estações, sob pena de se perder o equilíbrio e a saúde psíquica. Quem quer viver numa primavera perene, acaba por se decepcionar com a vida, com Deus e consigo mesmo. Quem vive de invernos existenciais não sente os aromas dos jardins, e se condena à morte enquanto o corpo ainda vive.
Existem as estações da alegria, da satisfação, do riso fácil. Mas há também o tempo do choro. Choro de dor, choro de saudade, choro de luto, choro de alegria – este, um choro sempre gostoso, mas sempre choro.
Existe a estação dos abraços, dos afetos, de sentir o calor de outro corpo. Mas existe o tempo do abraço contido, da solitude, do mergulho em si mesmo.
Há estações em que falamos, dançamos, cantamos, construímos, lutamos, plantamos. Mas é preciso reconhecer que há tempos em que devemos calar, aquietar, derrubar, desistir, arrancar.
Tentar viver um momento inexistente é suicídio emocional, é auto-engano. Mais saudável é reconhecer que a estação é nebulosa e se permitir derramar todas as lágrimas, sentir todas as saudades, extravasar todas as mágoas e abandonar projetos que nunca deveriam se concretizar. Sim, existem sonhos que precisam ser abandonados, por que de outra forma jamais conseguiremos vislumbrar estrelas que podemos alcançar.
Somente quem tem coragem e humanidade suficientes para reconhecer e viver as piores estações da vida é que terá leveza para desfrutar as primaveras da alma. Somente quem tem a grandeza interior para viver o tempo de prantear, se levantará de dançará de alegria, no tempo do riso. Somente quem entende o que deve abandonar estará apto para receber o melhor que vida tem a oferecer.
Isso é se respeitar. É se amar. Isso é ser gente!

Nele, que soube chorar quando não era tempo de rir.

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